sábado, março 07, 2009

Chuvas e temporais

Eu sou uma otima pessoa para se ter por perto em momentos de crise. Se alguem esta em uma situacao que exige acao imediata, algum tipo de emergencia, eu sou a pessoa certa para ligar .

Confirmei, mais uma vez esse meu talento esta semana.

Desta vez foi o marido com calculo renal. Acordou-me cedinho com seus gritos de dor. Ja sabiamos o que era, isso ja aconteceu antes. Imediatamente, entrei no meu sistema automatico. Em casos como este, nao perco tempo com desespero. Tenho que agir.

Contra a sua vontade, peguei o carro e dirigi ao hospital acompanhada de dois sacos plasticos: um para ele caso houvesse vomito e outro com todos os seus remedios, para entregar aos medicos. Seus gritos de dor eram o unico som naquela breve viagem. Nao me incomodou. Agi com frieza de raciocinio. Dirigi rapidamente, mas sem passar do limite de velocidade. Nao queria que um policial me parasse. Mesmo sabendo que nao receberia multa num caso como esses, gastaria mais tempo com as explicacoes, quando meu objetivo e' ter o paciente atendido por um especialista o mais rapido possivel. Poderia ter chamado uma ambulancia, nao custaria nada e seria cuidado por profissionais. Mas, como moramos a apenas tres minutos do hospital, e por ser cedo ainda, ruas sem trafigo, resolvi leva-lo eu mesma. Deixei em casa a Andrea, que estava muito gripada, com um febrao, acompanhada de minha mae (que telefonei ao mesmo tempo em que me vestia). Estava em boas maos. Dirigindo e observando o paciente (sim para mim era um paciente, nao o marido), confirmei o diagnostico. Sem febre. Nausea (com certeza devido ao analgesico fortissimo que ingeriu alguns minutos antes) e muita dor nas costas e virilha. Sim, apesar da dor, nao parecia ser nada grave, mas como o paciente e' um ex cardiaco, e' bom nao arriscar.

Tres minuto depois, no hospital, o seguranca nos encontra na porta, ajuda o paciente a sair do carro e o coloca em uma cadeira de rodas, onde uma assistente o leva para a recepcao. Estaciono meu carro e o encontro la dentro, ainda gritando de dor. Respondo perguntas, assino documentos dou detalhada informacao sobre o estado de saude do paciente. Entrego o saco de remedios. Seus pontos vitais sao checados, o soro colocado e a morfina injetada. O diagnostico e' dado e confirmado com CAT scan ( Computerized Axial Tomography.Uma maquina enorme, tipo um tunel onde se examina todo o corpo do paciente atraves de micro ondas de raios X e computador) . Deixo o celular do marido ao seu lado e saio do hospital (nao ha nada mais a fazer la e minha mae precisa ir trabalhar), e volto para casa onde minha outra paciente me espera. Momentos depois recebo um outro paciente. Este, com o diagnostico de sindrome de panico. Coloco um paciente a cuidar do outro(os dois se distraem), enquanto continuo meus afazeres domesticos e ligando para o marido para verificar seu progresso. Passo e-mails e faco ligacoes pedindo oracoes. Oro um pouco, canto um pouco de louvor, e agradeco muito a Deus: por nao ser nada grave, por me dar forcas e discernimento, por termos um emprego que nos da seguro de saude e por morar nos EUA (isso agradeco muuuiiiittto, todos os dias) E assim passo o dia.
Nossa familia esta passando por uma fase de chuvas e temporais. Doencas, brigas, situacoes dificeis -fisica e emocionalmente. A chuva ta caindo forte e nos estamos encharcados. No meio da tempestade e' dificil lembrar do sol. Quando o trovao te assusta e as vezes somos ate chamuscados pelos raios, nao e' facil lembrar que existem dias sem chuva, dias quando o ceu e' azul e uma brisa fresca te acaricia o rosto. Os dias de chuva parecem infinitos...

E' facil esquecer que o mesmo Deus que fez os dias de sol, fez tambem os dias de chuva.Os dois foram feitos para o meu bem. Para o meu crescimento.
Quando estou a ceu aberto, no meio de uma tempestade, preciso encontrar refugio. Deus. Apesar de estar bem perto de mim, a chuva forte as vezes, nao me o deixa ver. E ai que Ele me da um guarda-chuva: familia e amigos queridos me mantem menos molhada. Me ajudam a achar o caminho.
Percebo agora que a chuva e' necessaria. As plantinhas precisam brotar. Nada novo nasce ou cresce sem agua. E' isso que me mantem em pe. Me da esperancas. Me faz acreditar nos dias de sol.


Posso ate carregar cicatrizes de queimaduras causadas pelos raios. Mas estou no meu refugio, cercada de guarda-chuvas. E olha, acho que vejo o sol.






Um comentário:

Lenita disse...

Claudinha! Que lindo! E, para você, alguns versos de Renato Russo:
" Mas é claro que o Sol,
vai voltar amanhã,
eu sei!... "
Muita força e muitos beijos